Quando somos novos, todo mundo pergunta o que a gente quer ser quando crescer. Alguns dizem que querem ser gente grande. Eu não cresci muito, mas não é disso que falo. Falo de profissão.
Na 3ª série, atual 4º ano, boa parte das minhas amigas queriam ser veterinárias. Não que eu não goste de animais, mas eu queria ser diferente. Naquela época, eu tinha uma prima tentando passar no vestibular de Medicina, então eu já tinha alguma noção do que é faculdade. Na minha escola, que era de Ensino Fundamental e Médio, e cursinho, tinha muitos cartazes sobre faculdades. Eu gostava, e gosto muito de ler. Num desses cartazes, eu vi o curso de Literatura. Então, decidi que queria ser professora de Literatura. Foi a primeira vez que eu quis ser professora.
Depois disso, nunca mais pensei em ser professora. Morei em muitos lugares, criei e desenvolvi o gosto pela Matemática. Meus professores de tal disciplina foram tão fundamentais que lembro o nome de todos eles. Mas, enquanto eu não queria ser professora, algumas outras possibilidades de profissões passaram em minha cabeça: engenheira florestal, engenheira civil (apesar de detestar desenhar), química, psicóloga. Esta última foi a minha primeira opção por 4 anos: 8ª série (9º ano) e os três anos do ensino médio. Mas nunca mais pensei em ser professora. Queria continuar estudando, ser doutora e ser reconhecida pelos meus estudos.
No 3º médio, enfim, chegou o decisivo momento das inscrições. Veio Fuvest, Unicamp, mas eu só tinha certeza de prestar a UFTM (Universidade Federal do Triângulo Mineiro). Ía prestar UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) mas minha mãe não quis deixar, porque o ENEM era a primeira fase, e como ele tinha sido transferido, ela não confiou na minha capacidade.
No fim das contas, eu só prestei dois vestibulares: o da UFTM e o da Unesp, por ser numa cidade próxima a que eu estava morando na época. A escolha da Matemática, e não da Psicologia, veio pela insistência de dois professores meus, a de Física e o de Matemática, os dois formados pela Unesp-Bauru, de prestar algo na área de Exatas. A Matemática era a disciplina que eu mais gostava. Na verdade, eu queria bacharelado, mas como na Unesp não tinha por perto, foi a licenciatura mesmo.
Então veio a realização das provas. Lembro muito bem dos dias em que realizei as provas da 1ª e 2ª fases, dos dois vestibulares.
Eu considero que fui muito melhor na prova da 2ª fase da UFTM do que na prova da 2ª fase da Unesp. Na UFTM a prova era bem mais específica, eram as áreas de Biologia, Português e História. Na Unesp, o vestibular era de todas as áreas, e muitas das questões deixei em branco. Pensei que havia passado na UFTM e não na Unesp.
No dia 28 de janeiro, deste ano, saiu o resultado da UFTM. Resultado: lista de espera, mas fiquei muito atrás, eram só 30 vagas, já sabia que não seria chamada. Chorei horrores, estava muito confiante de ter passado. Então, por consequência, comecei a me preparar psicologicamente para o resultado da Unesp, que saia no dia seguinte, e pensar no que fazer em 2010.
Então, no dia 29 de janeiro, numa sexta-feira chuvosa, pela manhã, entrei no site da Vunesp para ver que horas sairia o resultado. Já havia saído. Como já estava preparada para minha não aprovação, eu entrei no site, nervosa, mas preparada. Quando terminei de ler, e vi escrito na situação CONVOCADA, nossa, comecei a chorar novamente. Pulava feito louca, chorava, ria, gritava... Não sabia o que fazia. Eu estava mais do que feliz, eu iria realizar meu sonho, ir pra universidade.
Mas, como Matemática não era minha primeira opção, eu fiz minha matrícula e fui nos primeiros dias pra ver como era. Não deu outra: me apaixonei pelo curso. Mas eu ainda não queria ser professora. Queria ser pesquisadora.
Nas aulas de Práticas de Ensino I, eu tive um professor muito bom. O nome dele é Richael. E é por ele que hoje eu quero ser professora. Ele mostrou pra gente o quão valorosa é a profissão, a responsabilidade em formar intelectualmente uma pessoa. Enfim, me apaixonei pela profissão e pela Educação em geral. Meus objetivos se tornaram outros. Quero ser mestre e doutora ainda, mas agora, quero me aperfeiçoar em Educação.
Às vezes, penso em desistir. Mas vejo o quanto lutei por esse sonho. Minha mãe às vezes pergunta se eu não quero desistir. São ideias passageiras; eu não quero desistir. Eu quero ser professora. De Matemática.